segunda-feira, 14 de julho de 2008

A entrevista do P. António Leite, SVD a Ir. Ángela Furian, SSpS

Irmãs Missionárias Servas do Espírito Santo com medalha de ouro e de prata
Poderia ser um título relacionado com os jogos olímpicos ou com outras actividades desportivas. Mas não. Estamos, isso sim, perante o reconhecimento público de vidas que se vêm dando entre alegrias e dificuldades. De que se trata, então?
No dia 29 de Junho de 2008, as Missionárias Servas do Espírito Santo, da comunidade de Casal de Cambra, receberam a medalha de ouro de mérito municipal da Câmara Municipal de Sintra. Na mesma altura, a nossa bem conhecida Irmã Ângela Furin recebeu também a medalha de prata, atribuída pela mesma Câmara Municipal de Sintra, pelo considerado mérito municipal.
Os considerandos apresentados pela Câmara Municipal de Sintra são um testemunho claro dos méritos apresentados em relação à presença das Irmãs na Urbanização Municipal de Casal de Cambra. Como pretendíamos partilhar com os leitores, não somente esta bonita notícia, mas também ouvir um pouco do que significa esta presença, fomos ao encontro da Irmã Ângela e dialogamos com ela. Eis, então, algumas partes deste diálogo.

O que significam estas medalhas para as Missionárias Servas do Espírito Santo, presentes em Casal de Cambra?
Ficamos surpreendidas com esta decisão da Câmara Municipal de Sintra. Nunca esperamos receber tal reconhecimento, mas vemos como positivo que a Autarquia valorize o empenho da Congregação junto das famílias realojadas nesta urbanização. Para nós é um estímulo a darmo-nos sempre mais neste serviço, procurando estar próximas dos mais carenciados e sofridos, incarnando, assim, o nosso ser missionário.

Sabemos que a Irmã Ângela esteve ligada aos começos da vossa presença em Casal de Cambra. Quando chegaram a este lugar, e o que as levou realmente a assumir o desafio da presença nesta urbanização?
Começámos a nossa missão aqui no mês de Junho de 1996. A nossa chegada aconteceu através do P. Valentim, missionário do Verbo Divino. Desta maneira demos resposta a um desejo da Câmara Municipal de Sintra que consistia na presença de uma Comunidade Religiosa naquela que era a recém construída urbanização, integrando-se, deste modo, no Programa Especial de Realojamento (P.E.R.).
A Irmã Pompeya, de saudosa memória, e eu fizemos os trâmites para esta fundação com a convicção de que estávamos a responder a um desafio que fazia parte da nossa missão.

Passaram alguns anos e hoje a Irmã continua com o mesmo sorriso que a caracteriza. Poderia falar-nos de como foram conquistando os corações de tantas pessoas com as quais partilham diariamente alegrias e dificuldades?
A Irmã Pompeya, que entretanto começou a concretização do projecto, ficou durante alguns meses. Depois foram chegando outras irmãs: Hermelinda, Maria José e a Maria de Lourdes. Todas elas fizeram um trabalho muito bom. No contacto com as famílias, sentiram que os pais desejavam, em primeiro lugar, a catequese para os seus filhos. Devemos notar, contudo, que somente em Julho de 1999 foi concluída a Ermida de Santa Marta, que está situada ao lado dos prédios. Desta maneira estava conseguido algum espaço para as actividades das Irmãs, possibilitando também a Eucaristia diária para as pessoas desta parte de Casal de Cambra. Tudo isto ajudou à integração das duas partes.
As Irmãs que foram chegando – outras, entretanto, foram para outros lados – integraram-se nas dinâmicas que se foram construindo. Foi neste caminhar que se formou o chamado grupo de viola da Irmã Lourdes. Hoje, este grupo, já com outra gente, entre outras coisas, anima as celebrações da comunidade cristã.
Com a chegada da irmã Delia formou-se um pequeno grupo da Juventude Operária Católica (JOC). O caminho continua a fazer-se hoje num serviço lento e paciente de proximidade, com a minha presença e da Irmã Iracema.

Que desafios sente hoje no meio de toda esta gente?
Até agora todas as actividades com crianças, adolescentes, adultos, idosos… têm sido realizadas na Ermida e na pequena sacristia. Mas temos uma boa notícia: a partir do mês de Setembro a Câmara Municipal de Sintra vai ceder um espaço num rés do chão de um dos prédios. Desta maneira vai ser possível atender melhor os grupos e cada pessoa individualmente. Contando com este espaço de características diversas, temos a esperança em chegar a pessoas que até agora não teremos conseguido.

Uma última palavra: as medalhas foram recebidas no dia em que, na Holanda, era beatificada a Irmã Josefa, uma das Irmãs que esteve nas origens da Congregação. E estamos também com o Ano Paulino a dar os primeiros gemidos. Encontra alguma relação entre todos estes acontecimentos?
Quando me encontrava no caminho para o acto da entrega das medalhas, pensava que naquela mesma hora estava a acontecer a abertura da Porta Santa na Basílica de São Paulo em Roma, assim como a beatificação da Madre Josefa em Steyl (Holanda), perto da casa onde nasceu a Congregação das Missionárias Servas do Espírito Santo. Naquela altura senti como uma confirmação, uma humilde certeza, que Deus nos quer realmente neste lugar. À luz do exemplo de S. Paulo como o grande anunciador do Evangelho de Jesus Cristo, do Centenário da morte dos Santos Arnaldo e José, na alegria e gratidão da beatificação de Madre Josefa, posso tão somente balbuciar esta humilde prece: “Pai, venha a nós o Vosso Reino! Fazei de nós instrumentos humildes e dóceis de Vossa paz! Transformai-nos com o Vosso Espírito para que possamos dizer, com São Paulo: não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim”.
E viver na certeza de que o Amor nos impele.

P. António Leite, svd