sexta-feira, 29 de maio de 2009

Timor entre a Ásia e o Pacifico

Arnold Toynbee, ao sobrevoar, a partir de Darwin, a fronteira entre o império português e a república da Indonésia em Timor, reconheceu estar a atravessar uma linha de divisão cultural, separando duas civilizações - o velho e o novo mundo, a Ásia e a Austrália.

A definição de Timor-Leste como uma fronteira entre Estados, impérios e civilizações resume a sua história no século XX, durante o qual o estatuto político da antiga colónia portuguesa foi sucessivamente posto em causa. Desde a Grande Guerra, a pretexto do risco de ocupação alemã, a Austrália admitiu apropriar-se da meia-ilha, sem conseguir forçar a retirada de Portugal. Durante a II Guerra mundial, em finais de 1941, Timor foi efectivamente ocupado, primeiro pelas tropas aliadas holandesas e australianas e logo a seguir pelo Japão, que transformou o território na fronteira estratégica entre os seus domínios - a Grande Esfera de Co-Prosperidade da Asia Oriental - e a Austrália. Na sequência dessa demonstração do valor crucial de Timor para a sua defesa, a Austrália, no fim da guerra, voltou a pôr à prova a soberania portuguesa, mais uma vez sem sucesso. Trinta anos depois, num momento critico da guerra fria, a Indonésia invadiu e anexou Timor-Leste como a mais oriental – Timor-Timur - das suas províncias, restaurando, desse modo, uma fronteira asiática com a Austrália no mar de Timor, contestada por Portugal, como potência administrante do território.
Na viragem do século, tudo voltou a mudar, com a retirada da Indonésia, a intervenção de uma força militar internacional comandada pela Austrália e a instalação de uma administração das Nações Unidas, com mandato para preparar a transição para a independência de Timor-Leste.

O futuro Estado timorense terá a responsabilidade de definir as politicas externas que possam ultrapassar a instabilidade recorrente que marcou a história e a geografia timorense nos últimos cem anos. A sobrevivência politica e a soberania de Timor-Leste dependem da qualidade dessas politicas, as quais são, por um lado, inseparáveis da estabilidade e da coesão politica interna e, por outro lado, dependentes de uma resposta consistente do primeiro novo Estado do século XXI aos condicionamentos externos da sua posição internacional entre a Indonésia e a Austrália, entre a Ásia Oriental e o Pacifico, entre o velho e o novo mundo.

O lugar das politicas externas
Se as politicas externas são um instrumento crucial dos Estados para garantir a sua autonomia internacional, nem por isso deixam de ser o lugar electivo da interacção entre as dimensões internas e externas e, nesse sentido, não se podem separar das políticas internas.

No passado, os factores internos foram relevantes e, por vezes, decisivos, para as variações do estatuto político internacional de Timor-Leste. A negligência benigna da administração colonial portuguesa, bem como a ausência de uma capacidade militar com credibilidade mínima para defender o território, estimularam as tentações australianas e impediram qualquer resistência quer à intervenção aliada, quer à invasão japonesa. Do mesmo modo, a incapacidade portuguesa para controlar o processo de descolonização, somada à divisão fratricida das forças politicas timorenses, levou à guerra civil que abriu o caminho à intervenção militar da Indonésia, em Dezembro de 1975, e à subsequente anexação do território. Finalmente, a ilegitimidade do domínio e a ilegalidade da ocupação indonésia acabaram por impor a sua retirada de Timor-Leste, selada no referendum de Agosto de 1999 pela expressão democrática da vontade inequívoca dos timorenses, que preferiram a independência a continuar integrados na República Indonesia.

A extrema vulnerabilidade externa de Timor reclama um Estado forte, com instituições politicas democráticas, legítimas e estáveis, imunes à penetração de forças externas e com condições para unir os timorenses e contratualizar a pluralidade dos seus interesses. Do mesmo modo, o equilíbrio entre o Estado, a Igreja católica e as Forças de Defesa parece indispensável para sustentar a coesão interna, bem como para consolidar uma identidade nacional timorense. A decisão anunciada sobre a língua portuguesa como uma língua oficial do futuro Estado é um contributo importante nesse sentido, marcando a fronteira linguística entre Timor-Leste e os Estados contíguos.

A posição internacional de Timor-Leste
A questão mais interessante na feitura das politicas externas de Timor-Leste é definir a sua posição internacional e, mais precisamente, a sua filiação regional, dada a força crescente das tendências de regionalização na politica internacional do post-guerra fria.
Trata-se de uma questão crucial, para consolidar o estatuto politico e estabilizar a identidade internacional de Timor-Leste, inseparável da sua integração nas instituições multilaterais regionais, determinante para um Estado na fronteira entre a Ásia do Sudeste e o Pacifico, duas regiões internacionais - as duas únicas - cujos Estados pertencem todos, sem excepção, respectivamente à Associação das Nações do Sudeste Asiático ASEAN e ao Fórum das Ilhas do Pacifico. Nenhum faz parte de ambas e a escolha por uma ou por outra imprime uma marca identitária, que distingue os Estados asiáticos dos Estados do Pacifico.

Pela história e pela geografia, Timor-Leste pertence à Ásia Oriental. O mapa situa a ilha no prolongamento das Sundas menores e no limite do grande arquipélago indonésio, bem dentro da “pegada” geográfica da Ásia do Sudeste. Pelo lado da história, Timor nunca esteve ligado ao Pacifico. Portugal não fez parte da Comissão do Pacifico Sul, formada pelas potências ocidentais com territórios nessa área, e nenhum dos micro-Estados da região, excepto o Vanuatu, se interessou no passado pelo problema timorense. A única ligação relevante a esse espaço passa pela relação com a Austrália, mas esta não parece querer associar Timor-Leste ao Fórum das Ilhas do Pacifico. Ao contrário, tanto a expansão do império japonês na II Guerra mundial, como a anexação indonésia, acentuaram a inserção asiática de Timor.

Pelos interesses nacionais, Timor-Leste poderia querer ser membro tanto da ASEAN, como do Fórum das Ilhas do Pacifico. Porém, a composição das duas instituições é mutuamente exclusiva. No Fórum, Timor seria um Estado comparativamente importante entre os minúsculos Estados insulares do Pacifico - um dos três, com a Papua Nova-rica e as Fiji, cuja população seria superior a meio milhão de habitantes. Paralelamente, essa filiação poderia prolongar uma relação securitária com a Austrália, embora à custa de se tornar uma periferia de uma periferia, relativamente relevante num quadro multilateral regional sem relevância internacional.

Entre os Estados da ASEAN, Timor seria o mais pobre e um dos mais pequenos - o Bornéu tem uma população menor e Singapura um território mais exíguo. Não obstante, seria uma periferia de uma região importante e, no quadro da ASEAN, poderia tirar partido dos princípios de não-interferência e de respeito pela integridade territorial e pela independência dos Estados membros, a melhor garantia disponível para a segurança timorense perante a Indonésia.

Pelos imperativos estratégicos, a escolha torna-se ainda mais difícil. A história timorense demonstra os perigos da sua posição como um território isolado na fronteira entre dois espaços regionais e entre as duas principais potências da Ásia do Sudeste e do Pacifico.
Nos últimos vinte e cinco anos, Timor-Leste representou um factor recorrente de perturbação das relações entre a Indonésia e a Austrália, na origem de mudanças significativas nas suas politicas externas. O reconhecimento australiano da anexação indonésia assinalou a prioridade da “asianização” na orientação estratégica da Austrália, a retirada da Indonésia e o referendum de 1999 estiveram no centro da ruptura da quase-aliança entre as duas potências regionais.
O problema parece evidente: para ultrapassar os riscos de instabilidade nessa fronteira entre a Ásia e o Pacifico é indispensável encontrar uma fórmula de integração institucional e de alianças regionais que possa, por um lado, neutralizar a questão timorense como um perturbador das relações entre a Indonésia e a Austrália e, por outro lado, conter a interferência das duas grandes potências regionais em Timor-Leste. Se essa fórmula for imposta pela Austrália ou pela Indonésia, ou por ambas, o novo Estado ficará submetido a uma tutela externa; se, pelo contrário, resultar de uma politica timorense, a sua independência poderá prevalecer.

Os dilemas da politica externa
O contexto estratégico da posição internacional de Timor-Leste aponta para escolhas impossíveis para um novo e muito pequeno Estado, que não dispõe, obviamente, das condições mínimas indispensáveis para garantir, por si mesmo, a sua segurança externa.
Idealmente, a independência timorense podia ser permanentemente garantida pelas Nações Unidas ou, ainda melhor, por um protector externo, como os Estados Unidos. Como nenhuma dessas possibilidades é seriamente considerada, o futuro Estado, sem mais, tenderá a ser ou dependente da Indonésia, ou da Austrália, ou mesmo de ambas, se as duas potências se entenderem num regime de condomínio sobre Timor-Leste.

Perante esse quadro, para assegurar a sua independência o novo Estado deve de procurar tornar-se imune aos jogos de competição e aliança entre a Austrália e a Indonésia. Como não pode ter uma politica de isolamento, nem impor autonomamente a sua neutralidade, o Estado timorense, para anular o padrão de interferência das duas potências regionais no seu território, tem de estar, simultaneamente, de ambos os lados, para nenhum deles dominar Timor-Leste.
Essa regra pode traduzir-se numa combinação entre alinhamentos multilaterais e alianças bilaterais, dentro e fora do contexto inter-regional que caracteriza a posição de Timor-Leste na linha de demarcação entre a Ásia e o Pacifico. Se o futuro Estado conseguir ser membro da ASEAN, sem prescindir de um acordo de defesa com a Austrália, talvez possa estabilizar a sua posição como um aliado asiático da Indonésia e um aliado democrático da Austrália. Para essa fórmula ter uma credibilidade razoável, Timor-Leste não deve ficar refém dessa dupla aliança e tem de alargar a sua inserção regional e internacional. Por um lado, pode construir, desde o período de transição, uma aliança securitária com o Japão - uma das duas grandes potências da Ásia Oriental e o principal aliado regional dos Estados Unidos - e, por outro lado, consolidar a sua ligação com Portugal e com a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, importantes para fortalecer a sua identidade singular na comunidade asiática.
As alternativas para a sobrevivência de Timor-Leste como uma entidade politica separada são ou reproduzir o modelo da Papua Nova-Guiné, ou depender de uma dupla garantia da Austrália e da Indonésia como fiadores da sua independência.

Existem sinais num e noutro sentido. O empenho da Austrália da intervenção militar internacional em Setembro de 1999 e, posteriormente, na força de manutenção de paz das Nações Unidas podem antecipar uma vontade de garantir, mesmo unilateralmente, a estabilidade da fronteira estratégica terrestre com a Indonésia em Timor-Leste, tal como se passa no caso da Papua Nova-Guiné. Paralelamente, a proposta indonésia de constituição do Fórum do Pacifico Ocidental aponta no sentido de uma tutela conjunta e assenta numa simetria entre Timor-Leste e a Papua Nova-Guiné, ambos convidados a pertencer ao novo Fórum inter-regional, ao lado da Indonésia e da Austrália : as duas potências regionais garantiriam, concertadamente, os dois perturbadores situados na demarcação estratégica entre a Ásia e o Pacifico.

Nenhuma dessas alternativas é inevitável e nenhuma está inscrita na história ou na geografia. A comunidade timorense formou a sua identidade nacional na resistência contra realidades tidas por irreversíveis e pode voltar a surpreender os mais pessimistas.

Carlos Gaspar
Ano de publicação do artigo: 2002
http://www.ipri.pt/investigadores/artigo.php?idi=3&ida=49

terça-feira, 28 de abril de 2009

Portugal Reforça o Apoio à Capacitação do Sistema de Justiça de Timor-Leste

A Cooperação Portuguesa e o Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) celebraram um novo memorando de entendimento que permitirá o reforço da equipa de oficiais de justiça portugueses que tem prestado apoio técnico às secretarias dos Tribunais e Ministério Público de Timor-Leste, nos quatro distritos judiciais.
A nova missão terá a duração de um ano e será constituída por oito (8) oficiais de justiça, aos quais acresce o apoio prestado actualmente por cinco (5) técnicos portugueses que exercem funções semelhantes, ao abrigo de outros programas de cooperação.

Paralelamente a outras intervenções em curso para o fortalecimento do sector da Justiça, a capacitação das secretarias dos Tribunais e do Ministério Público de Timor-Leste com o apoio de Portugal e do PNUD (cooperação bi-multilateral) visa contribuir para a diminuição do número de processos pendentes, a formação técnica dos funcionários timorenses e melhorar o acesso dos cidadãos à Justiça.

O contributo de Portugal para o fortalecimento do sistema de Justiça decorre de necessidades específicas identificadas pelas autoridades timorenses, onde se inclui presentemente o apoio técnico-jurídico ao Ministério da Justiça (cooperação bilateral) e o financiamento do Programa de Justiça do PNUD conjuntamente com a Austrália, Brasil, E.U.A., Irlanda, Noruega, Suécia e ACNUDH. Esta última intervenção (cooperação multilateral) está vocacionada sobretudo para a formação dos novos e actuais actores judiciais timorenses, onde se incluem juízes, procuradores, defensores públicos, oficiais de justiça e guardas prisionais.

No quadro da estratégia de cooperação definida pelos Governos de Portugal e de Timor-Leste – Programa Indicativo de Cooperação 2007-2010, o apoio à boa governação no sector da Justiça constitui uma das áreas prioritárias, na sequência da qual também foram celebrados memorandos de entendimento com a AusAID e a Agência Espanhola para a Cooperação Internacional e Desenvolvimento (AECID), melhorando a articulação e a complementaridade dos programas de cooperação, em áreas de interesse comum, como a Justiça.

O apoio ao sector da Justiça constitui um elemento estrutural do fortalecimento do Estado de Direito e do respeito dos Direitos do Homem.

Realizou-se a cerimónia de entrega de 700 kg de medicamentos oferecidos por Portugal ao Ministério da Saúde de Timor-Leste, destinados à assistência medico-medicamentosa da população deslocada.

Na cerimónia estiveram presentes o Ministro da Saúde, Rui Araújo, e o Embaixador de Portugal em Díli, João Ramos Pinto. Os medicamentos chegaram a bordo do avião português que transportou o contingente da Guarda Nacional Republicana e são oferecidos pelo Instituto Português de Apoio ao Desenvolvimento na sequência do pedido formulado pelo Ministro da Saúde da República Democrática de Timor-Leste, atestando a rápida resposta de Portugal às necessidades humanitárias identificadas pelo Governo timorense. O lote de medicamentos compõe-se essencialmente de antibióticos, anti-diarreicos e sais de re-hidratação e serão utilizados nos 17 postos de tratamento permanente, que funcionam 24h/dia, e nas 23 clínicas móveis que o Ministério da Saúde coloca à disposição da população.

terça-feira, 9 de setembro de 2008

COMMUNITY OF CASAL DE CAMBRA-PORTUGAL

Sr. Angela Furian, SSpS
Sr. Iracema Casarotto, SSpS
Sr. Ma. Delia, SSpS

FEATURE: Medals of Merit for the SSpS community in Casal de Cambra, Portugal

by Sr. Maria Delia, SSpS and Sr. Ma. Mendes, SSpS

As a community, we strive to respond relevantly to mission demands through our direct involvement with the people. Primarily, as a witness to our being consecrated women missionaries, we live close to the people, facilitating their access to possibilities to make their lives better. We become the “voice of the voiceless” and the “bridge” between the poor and the public agencies that are responsible for assistance in health and medication, home feeding, documentation, social security, jobs and others.We try to gain knowledge of and give a deeper value for the different cultures and ways of life of the people, promoting their integration in the community. The concrete sign of growth in the community as a result of the Sisters’ ministry is the existence of the “Groups of Catechesis of Children and Youth.” The Viola’s Groups serve to initiate liturgies that reveal the new meaning they have for their lives- lives once left vulnerable to drugs and other dangers. This is a result of the good formation given to the Catechists and the youth. Their families also collaborated in information dissemination and fund-raising activities to build a Center of Socio-Pastoral Support beside a small chapel in the community. All these took place from 1996 to the present.
On June 29, 2008, we celebrated Holy Mass on the occasion of the Beatification of Bl. Josepha. On this same day, our community of Casal de Cambra, received the gold medal of merit from the Municipal Government of Sintra. At the same time, Sister Angela Furian also received the silver medal, given by the same municipality. These medals are clear testimonies of the relevant presence of the Sisters in the Municipal Urban District of Casal de Cambra.

We wish to share with the readers, not only this beautiful news but also the significance of our presence in this community.

The interview was done by Fr. António Leite, SVD, Rector of Provincial House of Lisbon Portugal.

What do these medals mean for the Missionary Sisters Servants of the Holy Spirit present in Casal de Cambra?
¨ We were surprised with this decision of the Municipality of Sintra. We never hoped to receive such recognition, but we see it as a sign of the credibility and the commitment of the Congregation to the families reallocated in this urbanization process. For us, it is an incentive always to be more available for this service, to be close to the needy and suffering through our missionary presence.We know that Sr. Angela was there at the start of your presence in Casal de Cambra.

When did you arrive to this place, and what made you take the challenge of being present in this urbanization process?¨
We started our mission here in the month of June 1996. Our coming was due to Fr. Valentim, SVD. We responded to the express desire of the Municipality of Sintra for the presence of a Religious Community in this urbanized area - integrating in the Special Program of Relocation (P.E.R.). Sr. Pompeya Martinez, who recently passed away, and I made the procedures for this foundation with the conviction that we were responding to the challenge that was part of our mission.Thus passed years and today, you, Sister, continue with the same characteristic smile.

Could you speak to us about how you “conquered the hearts” of so many people who share with you their daily joys and difficulties?¨
Sr. Pompeya, who began the realization of the project, stayed for some months. Then, other Sisters came - Hermelinda, Maria José and Maria de Lourdes. All of them did very good work. Being in contact with the families, they felt that the parents wanted primarily, catechetical classes for their children. We should note, however, that the Chapel of Santa Marta was only finished in July of 1999. Only then was space available for the activities of the Sisters. The daily Eucharistic celebration was also made possible for the people of this part of Casal de Cambra. All these activities helped in the integration of the two parties. The Sisters who came afterwards went to other areas. They came complete with needed skills for their apostolates. In this way, Sr. Maria Lourdes was able to form a Group called Viola. Today, this group, composed of other lay people, animates the Christian community's celebrations. With Sr. Delia’s arrival, a small group was formed called Catholic Labor Youth (JOC). The journey continues until today - in unhurried and patient service through my missionary presence and that of Sr. Iracema.

What challenges do you see today in the midst of the people?¨
Up to now, all of the activities with the children, adolescents, adults and elderly have been held in the small chapel and in the small sacristy. But we have good news! Starting in the month of September, the Municipality of Sintra will give us a space in one of the buildings. This will provide ample room to assist the groups and each person better. With this possibility, we hope to reach out to people who have not yet come.Lastly, the medals were received on the day that Mother Josepha, one of your co-foundresses, was beatified in Holland.

This year, we are also celebrating the Pauline Year. Do all these events have some connections?¨
When I was on the way to the awarding ceremony of these medals, I thought that at that same hour the Holy Door in the Basilica of St. Paul in Rome was being opened, as well as Mother Josepha's Beatification in Steyl (Holland), close to the house where our Congregation was born. At that precise moment, I felt a confirmation, a humble certainty, that God really wants us to be here in this place. In the light of St. Paul's example as the great announcer of Jesus Christ's Gospel, of the Centennial Year of St. Arnold and St. Joseph, and in joy and gratitude for Mother Josepha’s beatification, I can only utter this humble prayer: “Father, May Your Kingdom! Make us humble and docile instruments of your peace! Transform us with Your Spirit so that we can say, with St. Paul: It is not I who live but Christ who lives in me.” I live in the certainty that Love impels us.

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Timor Leste

Nacionalidade

Com a independência de Timor-Leste, em Maio de 2002, um grupo de trabalho do MNE estudou as questões de nacionalidade dos timorenses e entregou, em 2005, um relatório que sugere que têm direito a serem portugueses. O Governo mexeu na lei em 2006 e não resolveu nada
Os cidadãos de Timor-Leste são também portugueses e a maioria pode, se assim o entender, requisitar a dupla nacionalidade. O DN teve acesso a um memorando interno do Governo que concluiu que a independência daquele território em Maio de 2002 coloca problemas de atribuição da nacionalidade.Intitulado"Questões de Nacionalidade resultantes da Independência de Timor-Leste", este memorando com origem no Departamento de Assuntos Jurídicos do Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) foi enviado a 27 de Abril para Diogo Freitas do Amaral, então ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros de José Sócrates. Esse documento era o resultado de pesquisas de um grupo de trabalho formado ainda no Governo de José Manuel Durão Barroso e que admitiu que "as vicissitudes pelas quais passou Timor-Leste desde 1975 - fim do domínio colonial português, ocupação indonésia, administração pelas Nações Unidas e independência - não afectaram o vínculo de cidadania existente entre uma parte significativa da sua população e o Estado português. À luz do direito português, continuarão a ser portugueses, enquanto o actual quadro legal se mantiver".E manteve. Um ano depois de enviado este relatório para Freitas do Amaral e para o ministro da Justiça, Alberto Costa, a Lei da Nacionalidade é alterada pela quarta vez (desde 1981) e nada muda quanto ao cerne da questão. A 17 de Abril de 2006, o Governo de Sócrates e o PS mexem na lei, mas no sentido de "alargar os direitos de aquisição da nacionalidade e não para os restringir", dizem fontes do executivo.Ao DN, um dos membros do grupo de trabalho, que integrou pessoas ligadas ao MNE e ao Ministério da Justiça, confessa que "não foi tomada nenhuma medida que resolvesse o que nós identificámos. Não sei se houve esquecimento ou desconhecimento, mas o que é certo é que a lei de 2006 não muda nada. Os descendentes de quem tenha tido nacionalidade portuguesa, em Timor, em Macau ou na Índia [Goa, Damão e Diu], podem reclamar esse direito".Segundo esta fonte, "a alteração legislativa nem seria a única opção. Em vez de uma solução unilateral, podíamos ter optado por um acordo bilateral que regulasse estas matérias". Celeste Correia, deputada do PS e uma das responsáveis pelo acompanhamento da lei de 2006 na Assembleia da República, lembra que "Portugal não reconheceu a anexação pela Indonésia e à medida que as pessoas iam nascendo eram portuguesas. Os filhos destes também". A deputada, que pertence à mesa da presidência da AR, reconhece que "ninguém [do MNE] nos chamou à atenção para a existência desse relatório". Mais, Celeste Correia estranha que ele tenha só transitado entre os dois ministérios e não tenha chegado ao conhecimento dos deputados que tinham em mãos a alteração da lei. Também esta deputada socialista defende que o assunto deve agora ser alvo de um acordo bilateral.No documento confidencial a que o DN teve acesso, os juristas do MNE dizem que "os timorenses nascidos em Timor-Leste antes de 1981 e todos os seus descendentes aí nascidos entre aquela data e a data da independência" são considerados portugueses. Mais, os timorenses nascidos em Timor-Leste "ou em qualquer outro país após a independência, filhos de pai português ou mãe portuguesa (igualmente timorenses) que declarem querer ser portugueses ou inscrevam o seu nascimento no registo civil português" podem também ser considerados cidadãos lusos.No relatório enviado a Freitas do Amaral - e que depois ficaria no gabinete de Luís Amado, que lhe sucedeu a 3 de Julho de 2006 - aquele departamento do MNE dizia explicitamente que "uma parte significativa da população timorense detém hoje, assim, nacionalidade portuguesa, tendo o nascimento de um novo Estado, em 20 de Maio de 2002, trazido como consequência que a quase tolidade do seu substrato humano seja detentor de dupla nacionalidade - a portuguesa e a timorense".Os especialistas do MNE faziam ainda referência a circunstâncias que complicam o caso, como "a destruição de grande parte dos arquivos dos registos de estado civil e paroquial", que se deu entre a ocupação indonésia e a independência, que "potencia situações de fraude". Consequências ou "riscos" como a "apatridia ou desconsideração da vontade individual na determinação do vínculo de cidadania" eram também destacados no relatório.Para fugir a este imbróglio, sugeriam-se duas vias: "a celebração de um acordo internacional entre Portugal e Timor-Leste ou a adopção de legislação interna por parte de Portugal". Nenhuma das opções foi tomada pelo Governo de Sócrates e, já na altura, o relatório dizia que "a manutenção do status quo é, a todos os títulos, de evitar". Porque "continuar a atribuir a nacionalidade portuguesa a um vasto universo de pessoas que com Portugal não têm qualquer ligação efectiva" acarreta "especiais responsabilidades internacionais" para o País. Neste momento, recorde-se, Timor-Leste tem uma população estimada em mais de um milhão e cem mil pessoas. O DN contactou ontem o MJ e o MNE, que apenas adiantou que o documento "não produz recomendações" e que é "um levantamento do status quo". Hoje mesmo, o presidente da Assembleia da República, Jaime Gama, recebe, o vice-primeiro ministro de Timor-Leste, José Luís Guterres. Isto enquanto o presidente de Timor-Leste, José Ramos-Horta, estará na Universidade do Minho, em Braga, a proferir uma conferência.
Fonte: http://dn.sapo.pt/2008/07/23/nacional/timorenses_beneficiam_lacuna_e_portu.html

segunda-feira, 14 de julho de 2008

A entrevista do P. António Leite, SVD a Ir. Ángela Furian, SSpS

Irmãs Missionárias Servas do Espírito Santo com medalha de ouro e de prata
Poderia ser um título relacionado com os jogos olímpicos ou com outras actividades desportivas. Mas não. Estamos, isso sim, perante o reconhecimento público de vidas que se vêm dando entre alegrias e dificuldades. De que se trata, então?
No dia 29 de Junho de 2008, as Missionárias Servas do Espírito Santo, da comunidade de Casal de Cambra, receberam a medalha de ouro de mérito municipal da Câmara Municipal de Sintra. Na mesma altura, a nossa bem conhecida Irmã Ângela Furin recebeu também a medalha de prata, atribuída pela mesma Câmara Municipal de Sintra, pelo considerado mérito municipal.
Os considerandos apresentados pela Câmara Municipal de Sintra são um testemunho claro dos méritos apresentados em relação à presença das Irmãs na Urbanização Municipal de Casal de Cambra. Como pretendíamos partilhar com os leitores, não somente esta bonita notícia, mas também ouvir um pouco do que significa esta presença, fomos ao encontro da Irmã Ângela e dialogamos com ela. Eis, então, algumas partes deste diálogo.

O que significam estas medalhas para as Missionárias Servas do Espírito Santo, presentes em Casal de Cambra?
Ficamos surpreendidas com esta decisão da Câmara Municipal de Sintra. Nunca esperamos receber tal reconhecimento, mas vemos como positivo que a Autarquia valorize o empenho da Congregação junto das famílias realojadas nesta urbanização. Para nós é um estímulo a darmo-nos sempre mais neste serviço, procurando estar próximas dos mais carenciados e sofridos, incarnando, assim, o nosso ser missionário.

Sabemos que a Irmã Ângela esteve ligada aos começos da vossa presença em Casal de Cambra. Quando chegaram a este lugar, e o que as levou realmente a assumir o desafio da presença nesta urbanização?
Começámos a nossa missão aqui no mês de Junho de 1996. A nossa chegada aconteceu através do P. Valentim, missionário do Verbo Divino. Desta maneira demos resposta a um desejo da Câmara Municipal de Sintra que consistia na presença de uma Comunidade Religiosa naquela que era a recém construída urbanização, integrando-se, deste modo, no Programa Especial de Realojamento (P.E.R.).
A Irmã Pompeya, de saudosa memória, e eu fizemos os trâmites para esta fundação com a convicção de que estávamos a responder a um desafio que fazia parte da nossa missão.

Passaram alguns anos e hoje a Irmã continua com o mesmo sorriso que a caracteriza. Poderia falar-nos de como foram conquistando os corações de tantas pessoas com as quais partilham diariamente alegrias e dificuldades?
A Irmã Pompeya, que entretanto começou a concretização do projecto, ficou durante alguns meses. Depois foram chegando outras irmãs: Hermelinda, Maria José e a Maria de Lourdes. Todas elas fizeram um trabalho muito bom. No contacto com as famílias, sentiram que os pais desejavam, em primeiro lugar, a catequese para os seus filhos. Devemos notar, contudo, que somente em Julho de 1999 foi concluída a Ermida de Santa Marta, que está situada ao lado dos prédios. Desta maneira estava conseguido algum espaço para as actividades das Irmãs, possibilitando também a Eucaristia diária para as pessoas desta parte de Casal de Cambra. Tudo isto ajudou à integração das duas partes.
As Irmãs que foram chegando – outras, entretanto, foram para outros lados – integraram-se nas dinâmicas que se foram construindo. Foi neste caminhar que se formou o chamado grupo de viola da Irmã Lourdes. Hoje, este grupo, já com outra gente, entre outras coisas, anima as celebrações da comunidade cristã.
Com a chegada da irmã Delia formou-se um pequeno grupo da Juventude Operária Católica (JOC). O caminho continua a fazer-se hoje num serviço lento e paciente de proximidade, com a minha presença e da Irmã Iracema.

Que desafios sente hoje no meio de toda esta gente?
Até agora todas as actividades com crianças, adolescentes, adultos, idosos… têm sido realizadas na Ermida e na pequena sacristia. Mas temos uma boa notícia: a partir do mês de Setembro a Câmara Municipal de Sintra vai ceder um espaço num rés do chão de um dos prédios. Desta maneira vai ser possível atender melhor os grupos e cada pessoa individualmente. Contando com este espaço de características diversas, temos a esperança em chegar a pessoas que até agora não teremos conseguido.

Uma última palavra: as medalhas foram recebidas no dia em que, na Holanda, era beatificada a Irmã Josefa, uma das Irmãs que esteve nas origens da Congregação. E estamos também com o Ano Paulino a dar os primeiros gemidos. Encontra alguma relação entre todos estes acontecimentos?
Quando me encontrava no caminho para o acto da entrega das medalhas, pensava que naquela mesma hora estava a acontecer a abertura da Porta Santa na Basílica de São Paulo em Roma, assim como a beatificação da Madre Josefa em Steyl (Holanda), perto da casa onde nasceu a Congregação das Missionárias Servas do Espírito Santo. Naquela altura senti como uma confirmação, uma humilde certeza, que Deus nos quer realmente neste lugar. À luz do exemplo de S. Paulo como o grande anunciador do Evangelho de Jesus Cristo, do Centenário da morte dos Santos Arnaldo e José, na alegria e gratidão da beatificação de Madre Josefa, posso tão somente balbuciar esta humilde prece: “Pai, venha a nós o Vosso Reino! Fazei de nós instrumentos humildes e dóceis de Vossa paz! Transformai-nos com o Vosso Espírito para que possamos dizer, com São Paulo: não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim”.
E viver na certeza de que o Amor nos impele.

P. António Leite, svd

domingo, 29 de junho de 2008

Mendengar dari pihak pemerintah


Terima Kasih Tuhan

Sr. Angela berumur 77 tahun, berasal dari Austria dan sudah menjadi warga Negara Brasil.
Berkarya di Brasil 26 tahun, di Roma 6 tahun dan sejak tahun 1989 mulai di Portugal.